quinta-feira, 18 de junho de 2015

Como instalar o programa ou drive da impressora EPSON L355 no Ubuntu?


Para instalar ligue a impressora EPSON 355 siga os passos:

1º - Vá em configuração do sistema, depois em impressora, em seguida em adicionar impressora Epson 355;

2º - Siga os outros passos da adição de impressora, até chegar no passo em que você deverá aceitar a instalação do drive da Epson 355,
3º - Quando aceitar e, então, começar a baixar o drive na central do Ubuntu, você deliga a impressora da tomada antes de iniciar na central de programas a aplicação das mudanças.

Dessa maneira, você concluirá a instalação do Drive:
 
EPSON L110/210/300/350/355/550/555 Series - Epson Inkjet Printer Driver 
 
Caso você não deligue a impressora da tomada o programa não será instalado, pois sempre dará erro e a não conclusão da instalação. O segredo é deixar a central de programas do Ubuntu aplicar as mudanças com a impressora deligada da tomada, para que o drive seja instalado sem dar erro. Depois é só usar a impressora EPSON 355 para fazer suas impressões, sem falar que esse drive funciona muito bem, confesso que levei mais de 12 horas pesquisando, como se instalava essa impressora EPSON 355 no Ubuntu. Passe esse conhecimento para mais pessoas publicando em sites e em blogs esses passos.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

PROPOSTAS DE TRABALHO / CAMPANHA 2014


  • Caso sua Internet não seja boa para assistir o vídeo, baixe o PDF de minhas propostas de trabalho clicando aqui 
  • Baixe o santinho digital aqui





PROPOSTAS DE TRABALHO / CAMPANHA 2014

Ola! Internautas, nunca fui eleito a cargo político e estou aqui para apresentar a vocês minhas principais propostas de trabalho pela sociedade, caso seja eleito nas áreas abaixo destacadas:

Na informatização
1º Primeiramente estarei trabalhando para levar a todos os paraenses, tanto da capital como do interior, internet banda larga, pois hoje, como se sabe, a internet principalmente no interior é muito lenta e muito cara, eleito deputado federal vou me esforçar em trazer melhorias neste setor. A fim de oferecer aos paraenses uma internet boa e barata.

Na pesca
2º Defendo também o aumento do valor do salário do seguro defeso dos pescadores, pois eu acredito que é muito pouco a quantia, que estão recebendo atualmente, e não dá para suprir plenamente as suas necessidades. Sem falar que vou propor leis e projetos que incentivem a criação de peixes em cativeiro, pois como sabemos nos rios já não tem mais peixe.

Na Saúde
3º Como deputado federal vou a Brasília para buscar recursos para a criação de hospitais tenham condições de tratar o câncer no interior do estado, para que não seja mais necessário descolar os doentes para as capitais que hoje já estão muito sobrecarregados faltando leitos para alocar os pacientes que chegam do interior. Mais mais do que hospitais vou me esforçar para implantar cursos de medicina no interior do estado em municípios como: Cametá, Parauapebas, Altamira, Breves, Tucuruí, Igarapé-Miri, Tomé-Açu.

Na educação
4º Na educação defendo o fim do pagamento do imposto de renda para o professor, salas de aulas climatizadas, eleições para diretores de escola, estacionamento nas escolas, merenda de qualidade, criação de universidades no interior do para capacitar os jovens para o mercado de trabalho. Pois acredito que a educação é um dos pilares para o desenvolvimento da sociedade. Defendo a criação dada disciplina teologia em todos os níveis de ensino, pois o homem também precisa saber cuidar da sua alma. Assim como da disciplina informática para que possamos extinguir o analfabetismo digital.

No setor social
5º Na câmara federal vou pleitear o aumento de salário dos aposentados, pois os mesmos já contribuíram bastante com esse país e, não é justo receber um salário miserável como este que estão recebendo. Vou pleitear em favor dos pobres, daqueles que estão passando fome, estão sem água na torneira, estão morando de aluguel e pagam luz elétrica caríssima.


Na mobilidade urbana

Em cidades onde o trânsito tem se tornado caótico como é o caso de nossa capital Belém/PA, sou a favor da criação de um metro, da abertura de ruas que desafoguem o trânsito, da construção de viadutos, pontes, sinalização adequada, etc. 
 

Na área da segurança pública
  • Sou a favor da punição para todos os que praticam crimes independente de idade, sexo, cor e raça.
  • Sou contra o aborto.
  • Sou contra a legalização das drogas, visto que as mesmas causam problemas de saúde e de violência.
  • Sou a favor de punição mais rígida para autoridades do poder judiciário que abusam do poder mentindo e “enrolando” para não registarem ocorrência policial, fazer abertura de inquéritos policiais em delegacias e tribunais de justiça, em fim que enrolam para não resolverem os problemas dos cidadãos.
  • Defendo a criação de leis que coíbam a violência doméstica contra a mulher, contra o homem, contra as crianças, contra os idoso e demais membros da família; ou seja, entre os membros da família.
Prof. George, Deputado Federal 5022, pelo estado do Pará. Eleições 2014.
Facebook clique aqui :  George Moreira


Quem é George?

George é professor da rede pública, evangélico, filho do casal humilde: Jorge e Zila, cidadão de bem, honesto, lutador ativo das causas sociais em favor dos pobres e necessitados, graduado em Letras pela UFPA, Pós-Graduado em: “Linguagem e Educação/UFPA” e “Docência do Ensino Superior/CECAM”, atualmente matriculado no curso on-line de ciência política da USP oferecido via internet, sempre se interessou por política, linguística, religião, economia, pesquisas científicas e movimentos sociais em favor dos pescadores, professores, médicos, ruralistas, operários e cristãos. Conhecedor da geografia do estado do Pará, e também dos problemas de infraestrutura e socioeconômicos das várias cidades do Pará, foi escolhido pelo partido do PSOL para concorrer ao cargo eletivo de deputado federal. 
 

domingo, 17 de novembro de 2013

MARK PAGEL: COMO A LINGUAGEM TRANSFORMOU A HUMANIDADE _ o texto abaixo é transcrição da legaenda do vídeo falado em English no TED.


Assim, ele diz conforme a legenda do vídeo: _ cada um de vocês possuem o traço mais mais poderoso, perigoso e subversivo que a seleção natural já projetou. É uma parte da tecnologia áudio-neural para programar as mentes das outras pessoas. Eu falo da linguagem, é claro, pois ela permite implantar um pensamento de sua mente diretamente na mente de outra pessoa, e elas podem tentar fazer o mesmo com você, sem que nenhum de vocês tenham que fazer uma cirurgia. Em vez disso, quando você fala, está na realidade utilizando uma forma de telemetria não muito diferente do controle remorto de sua televisão. Só que, este dispositivo utiliza pulsos de luz infla-vermelha, sua linguagem utiliza pulsos, pulsos discretos de som. E assim como você utiliza o controle remorto para alterar ajustes internos da televisão para ajustar-se à sua vontade, você utiliza sua linguagem para alterar os ajustes do cérebro de outras pessoa para ajustar-se aos seus interesses.
Linguagens são genes falando, conseguindo o que querem. E imagine o senso de maravilha de um bebê quando descobre pela primeira vez, que só preferindo um som, ele pode conseguir que objetos se movam pelo quarto como por mágica, e talvez mesmo até sua boca. Agora, o poder subversivo da linguagem é reconhecido através das eras na censura, em livros que não podemos ler, frases que não podemos usar e palavras que não podemos dizer. Na verdade, a história bíblica da torre de Babel é uma fábula e um aviso sobre o poder da linguagem. Conforme esta história, os primeiros seres humanos desenvolveram o conceito que, utilizando sua linguagem para trabalharem juntos, eles poderiam construir uma torre que levaria todos até o céu. Então Deus, irritado com essa tentativa de usurpar o seu poder, destruiu a torre, e a seguir, para assegurar que ela nunca mais fosse reconstruída, Ele espalhou as pessoas dando-lhes diferentes línguas. Confundi-as dando línguas diferentes. E isso nos leva à maravilhosa ironia de que nossas línguas existem para evitar que nos comuniquemos.
Mesmo hoje, sabemos que existem palavras que não podemos usar, frases que não podemos dizer, porque se o fizermos, podemos ser criticados, presos, ou mesmo mortos, e tudo isso por um sopro de ar emanando de nossas bocas. Então, toda essa confusão sobre um só de nossos traços nos diz que é algo que vale a pena explicar. E essas são as razões de como e porque esse notável traço evoluiu, e porque ele evoluiu somente em nossa espécie? É um tanto surpreendente que para conseguir a resposta para esta pergunta, tenhamos que ir para a utilização de ferramentas pelos chipanzés. Então, esses chipanzés utilizam ferramentas e tomamos isso como um sinal de sua inteligencia. Mas se fossem realmente inteligentes, por que eles utilizariam um graveto para extrair os cupins do solo em vez de uma pá? E se estes fossem realmente inteligentes, por que eles quebrariam as castanhas com uma pedra? Por que eles não vão a uma loja e compram um saco de castanhas que alguém já quebrou para eles? Por que não? Quer dizer, isso é o que fazemos. Então, a razão de os chipanzés não fazerem isso é que eles não tem o que os psicólogos e antropólogos chamam de aprendizado social. Parece que não tem a habilidade de aprender com os outros pela cópia ou imitação ou simplesmente pela observação. Como resultado, eles não podem improvisar a ideia dos outros ou aprender com os erros dos outros beneficiarem-se da sabedoria dos outros. E assim eles só fazem a mesma coisa todas as vezes.
De fato, podemos avançar um milhão de anos e voltar e esses chipanzés estarão fazendo a mesma coisa com os mesmos gravetos para os cupins e as mesmas pedras para quebrar as castanhas. Agora, isso pode parecer arrogante, ou mesmo cheio de presunção. Como sabemos disso? Porque era isso o que exatamente os nossos ancestrais, os Homo Erectus, faziam. Esses macacos eretos evoluíram na savana africana cerca de dois milhões de anos atrás, e fizeram machados manuais esplendidos que se ajustam maravilhosamente às suas mãos. Mas se verificarmos os registros fosseis, vemos que faziam o mesmo machado manual repetidamente por um milhão de anos. Você pode verificar isso nos registros fósseis. Agora, se fizermos algumas suposições de quanto tempo vivia um Homo Erectus, quanto tempo vivia sua geração, seriam aproximadamente 40.000 gerações de pais e filhos, e outros indivíduos assistindo, e nas quais o machado manual não mudou. Não fica nem mesmo claro se nossos parentes genéticos próximos, os Neandertais, possuíam aprendizado social. Com certeza, suas ferramentas eram mais complicadas que aquelas do Homo Erectus, mas ela também mostraram pouquíssima mudança nos quase 300.000 anos, aproximadamente que essa espécie, os Neandertais, viveram na Eurásia.
Ok, então o que isso nos diz é que, ao contrário do velho provérbio, “macaco vê, macaco faz”. A surpresa realmente é que todos os outros animais na verdade não podem fazer isso--- pelo menos não muito. E mesmo nesta fotografia existe a suspeita de ser preparada-- como algo do circo Barnum & Bailey. Mas por comparação, nós podemos aprender. Podemos aprender por observar outras pessoas e copiar ou imitar o que elas podem fazer. Podemos então escolher, dentre uma gama de opções, a melhor. Podemos nos beneficiar as ideias dos outros. Podemos construir por sobre sua sabedoria. E como resultado, nossas ideias realmente se acumularam, e nossa tecnologia progride. E essa adaptação cultural cumulativa, como chama os antropólogos essa acumulação de ideias é responsável por tudo ao nosso redor no seu movimentado e coletivo dia a dia. Quero dizer que o mundo cresceu fora de qualquer proporção a qual possamos reconhecer mesmo 1.000 a 2.000 anos atrás. E tudo isso por conta da adaptação cultural cumulativa. As cadeiras que sentamos as luzes desse auditório, meu microfone, os ipads e ipods que vocês levam consigo tudo é um resultado da adaptação cultural cumulativa. Agora, para muitos comentaristas a adaptação cultural cumulativa, ou aprendizado social, aconteceu fim da história. Por isso temos prosperado da maneira que nenhuma espécie fez. De fato, nós podemos mesmo fazer as “coisas da vida” --- como disse todas as coisas ao nosso redor. Mas na verdade, verifica-se que em algum momento cerca de 200.000 anos atrás quando nossa espécie surgiu e adquiriu o aprendizado social, foi realmente o começo da nossa história. Não o fim da nossa história. Pois nossa aquisição do aprendizado social criara um dilema social e evolucional, em qual a resolução de cada um, é justo dizer determinaria não só o caminho futuro de nossa psicologia, como o caminho futuro do mundo inteiro. E mais importante para isso, nos dirá porque temos a linguagem. E o motivo pelo qual o dilema surgiu é que esse aprendizado social é roubo visual. Se posso aprender observando você, eu posso roubar suas melhores ideias, e posso me beneficiar de seus esforços, sem ter que colocar o tempo e energia que você teve para desenvolvê-los. Se eu puder ver que isso isca você usa para fisgar um peixe, ou ver como você lasca seu machado manual para torná-lo melhor, ou se eu segui-lo secretamente para sua mata de cogumelos, posso me beneficiar de meu conhecimento, sabedoria e habilidades, e até talvez fisgue aquele peixe antes de você. O aprendizado social é realmente um roubo social. E qualquer espécie que o adquira, faria com que o seu comportamento fosse esconder suas melhores ideias, antes que alguém as roube de você. E em algum momento 200.0000 anos atrás, nossa espécie se confrontou com essa crise. E nós realmente temos duas opções para lidar com esses conflitos que o roubo visual traria.
Uma dessas opções é que poderíamos nos retrair a pequenos grupos familiares. Por que assim os benefícios e nossas ideias e conhecimentos fluiriam somente para nossos parentes. Se escolhermos essa opção, em algum momento 200.0000 anos atrás, nós provavelmente ainda viveríamos como os Neandertais quando entraram na Europa 40.000 anos atrás. E isso por que em pequenos grupos surgem menos ideias, a menos inovação. E pequenos grupos são mais propensos a acidentes e má sorte. Assim, se escolhêssemos essa trilha, nosso caminho evolucionário nos levaria para a floresta -- e seria realmente muito curto. Outra opção que poderíamos escolher seria desenvolver um sistema de comunicação que nos permitisse compartilhar ideias e cooperarmos uns com os outros. Escolher essa opção, significaria que o grande deposito de conhecimento e sabedoria acumulado estaria disponível para qualquer indivíduo que surgisse de qualquer família individual ou uma pessoa por si própria. Bem, escolhemos a segunda opção, e a linguagem é o resultado. A linguagem evoluiu para resolver a crise do roubo visual. A linguagem é uma peça da tecnologia social para aumentar os benefícios da cooperação – para se fechar contratos, para se fazer acordos e para coordenar nossas atividades. E você pode ver isso, em uma sociedade em desenvolvimento que está começando a adquirir a linguagem, não ter uma linguagem seria como um pássaro sem asas. Assim como a abertura das asas abre uma esfera de ar para os pássaros utilizarem, a linguagem abriu a esfera da cooperação para os humanos utilizarem. E nós desprezamos completamente isso, pois somos uma espécie que está tão à vontade com a linguagem. Mas temos que perceber que mesmo os simples atos de trocas que fazemos são completamente dependentes da linguagem. E para vermos porque, considere dois cenários do início de nossa evolução. Imaginemos que você seja muito bom para fazer pontas de flecha mas é incompetente para fazer o corpo da flecha em madeira com as penas colocadas. Duas outras pessoas que você conhece são muito boas em fazer corpo da flecha, mas são muito ruins em fazer pontas de flechas. Então o que você faz é – uma dessas pessoas ainda não adquiriu a linguagem.
E suponhamos que a outra seja boa nas habilidades de linguagem. Então o que você faz um dia é pegar uma pilha de pontas de flecha, e caminhar até aquele que não consegue falar bem, e colocar as pontas de flecha aos pés dele, esperando que ele entenda a ideia de que você quer trocar as pontas de flecha por flechas acabadas. Mas ele olha para as pinhas de pontas de flecha, pensando ser um presente, as apanha, sorri para você e vai embora. Agora, você o persegue gesticulando. Segue-se uma briga e vocês é esfaqueado com uma de suas próprias pontas de flecha. Ok, repita essa cena agora, e você se aproxima daquele que possui uma linguagem. Você coloca suas pontas de flecha e diz, “ Gostaria de trocar essas pontas de flechas acabadas. Divido com você 50/50.” O outro diz, “Tudo bem. Para mim está bom. Faremos isso.” Agora terminou a negociação. Uma vez que possuímos a linguagem, nós podemos colocar nossas ideias e cooperar para alcançar a prosperidade que não poderíamos ter antes de adquiri-la. E eis o porque de nossa espécie, ter prosperado ao redor do mundo enquanto os outros animais estão atrás das grades nos zoológicos definhando. Esse é o porquê de construirmos ônibus espaciais e catedrais enquanto o resto do mundo fura o chão com gravetos para extrair cupins. Certo, se essa visão de linguagem e seu valor na resolução de crises de roubo visual é verdadeira, qualquer espécie que a adquira deve demonstrar uma explosão de criatividade e prosperidade.
E isso é exatamente o que os registros arqueológicos mostram. Se olharmos os nossos ancestrais os Neandertais e o Homo Erectus, nossos ancestrais imediatos, eles estão confinados a pequenas regiões do mundo. Mas quando nossa espécie surgiu cerca de 200.000 anos atrás, algum tempo depois nós rapidamente caminhamos para fora da Africa e nos espalhamos para o mundo inteiro, ocupando quase todos os habitats da Terra. Onde outras espécies estão confinadas a lugares para os quais seus genes se adaptaram, com aprendizado social e linguagem, pudemos transformar o ambiente para se ajustarem as nossas necessidades. E então prosperamos de uma maneira que nenhum outro animal conseguiu. A linguagem realmente é o mais potente traço que já evoluiu. É o mais valoroso traço que temos para converter nossas terras e recursos em mais pessoas e seus genes do que a seleção natural projetou. A linguagem realmente é a voz dos nossos genes. Agora, uma vez que a linguagem evoluiu, nós fizemos algo estranho, e mesmo bizarro. Conforme nos espalhamos ao redor do mundo, desenvolvemos milhares de linguagens diferentes. Atualmente, existe cerca de sete ou 8.000 línguas diferentes na Terra. Você pode dizer, bem isso é natural. Conforme divergimos, nossas linguagens naturalmente vão divergir. Mas o real mistério e ironia é que a maior densidade de linguagens diferentes na Terra é encontrada onde as pessoas estão bem mais juntas. Se formos a ilha de Papua Nova Guiné, podemos encontrar 800 a 1000 línguas humanas distintas, línguas humanas diferentes, faladas somente na mesma ilha.
Há lugares nessa ilha que você pode encontrar uma nova língua a cada duas ou três milhas. Agora, por incrível que pareça, eu certa vez encontrei um homem de Papua, e perguntei se isso poderia ser verdade. E ele me disse, “ Oh não. Elas estão mais próximas do que isso.” E, é verdade; Há lugares naquela ilha que se pode encontrar uma nova linguagem a menos de uma milha. E isso também é verdade para algumas remotas ilhas oceânicas. Então parece que usamos nossa linguagem, não só para cooperar, mas para desenhar anéis em torno de nossos grupos cooperativos e para estabelecer identidades, e talvez para proteger nosso conhecimento, sabedoria e habilidades da curiosidade dos outros. E sabemos disso pois, quando estudamos os diferentes grupos de linguagens e os associamos as suas culturas, vemos que diferentes linguagens reduzem o fluxo de ideias entre os grupos. Elas reduzem o fluxo de tecnologias. E mesmo reduzem o fluxo de genes. Agora, eu não posso falar por vocês, mas parece que é o caso que não conseguimos ter sexo com pessoas que não conseguimos falar. Mas temos que levar em conta, porém, contra as evidências que ouvimos que podem ter havido alguns desagradáveis encontros genéticos com os Neandertais e o Denisovamos. Ok, essa é uma tendencia que temos, parece ser uma tendencia natural que temos, para o isolamento, para nos mantermos para nós mesmos, se contradiz fortemente no mundo moderno. Essa notável imagem não é um mapa do mundo. Na verdade, é um mapa das amizades no Facebook. E quando se marca essas ligações de amizades por sua latitude e longitude, literalmente se desenha o mapa do mundo. Nosso mundo moderno está se comunicando consigo mesmo e com cada um mas do que já fez a qualquer tempo no passado.
E essa comunicação, essa conectividade em volta do mundo, essa globalização agora trás seu ônus. Uma vez que essas diferentes linguagens impõe uma barreira, como acabamos de ver, na transferência de bens e ideias e tecnologias e sabedorias. E elas impõe uma barreira de cooperação. E em nenhum lugar se vê mais claramente do que na união Europeia, cujos 27 países membros falam 23 línguas oficiais. A união europeia gasta hoje mais de um bilhão de euros anualmente traduzindo entre suas 23 línguas oficiais. É algo na ordem de 1,45 milhões de dólares somente em custos de tradução. Agora, pense no absurdo dessa situação. Se 27 indivíduos desses 27 estados membros sentarem-se em volta da mesa, falando 23 línguas, uma simples matemática nos dirá que será necessário um universo de 253 tradutores para atender cada par de possibilidades. A união europeia emprega um corpo permanente de mais de 2.500 tradutores. E somente em 2007 - - e estou certo que existem números mais recentes - - algo na ordem de 1,3 milhões de páginas foram traduzidas somente para o inglês. E então a linguagem realmente é a solução para a crise do roubo visual. Se a linguagem realmente é o conduíte de nossa cooperação, a tecnologia que nossa espécie desenvolveu para promover o fluxo livre de ideias, esse nosso mundo moderno, nos confrontamos com uma pergunta.
E a pergunta é se nesse mundo moderno e globalizado podemos realmente suportar ter todas essas diferentes linguagens. Colocando de outra maneira, a natureza não conhece outra circunstancia na qual traços funcionais equivalentes não existem. Um deles sempre leva o outro à extinção. E vemos essa inexorável marcha para padronização. Existem muitas e muitas maneiras de medir as coisas - - pesá-las e medir seu cumprimento - - mas o sistema métrico está ganhando. Existem muitos e muitos meios de medir o tempo, mas um sistema realmente bizarro de base 60 conhecidos como horas, minutos e segundos é quase universal ao redor do mundo. Existem muitas , muitas maneiras de gravar CDs e DVDs, mas todas elas estão padronizadas também. E você provavelmente pensa em muitas, muitas mais em sua própria vida cotidiana. E então nosso mundo moderno agora nos confronta com um dilema. E esse dilema que esse homem chines enfrenta, cuja língua é falada pelo maior numero de pessoas do mundo do que outra única língua, e ele está sentado em frente a um quadro negro, convertendo frases em chines para frases em inglês. O que isso faz é aumentar a possibilidade para nós que nesse mundo no qual queremos promover cooperação e troca, e num mundo que deve ser mais dependente do que nunca da cooperação para manter nossos níveis de prosperidade, sua ação nos sugere que seja inevitável que tenhamos que confrontar a ideia que nosso destino deve ser um mundo com uma linguagem. Obrigado.

Atenção: O texto abaixo é a transcrição da legenda em português do vídeo, em que foi publicado a palestrara de MARK PAGEL, proferida em English. Em: http://www.ted.com
 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A origem da Linguagem

A origem da linguagem é uma das questões que mais tem preocupado o espírito humano. Desde remota antiguidade, vem sendo discutida pelos sábios, sem que até agora hajam chegado a um acordo.
Justifica-se esse empenho por causa do papel importante que a linguagem exerce em todas as manifestações da vida humana. Não é, pois, sem razão, que se tem atribuído à palavra origem divina.
O instinto de sociabilidade, mais imperioso na espécie humana que nos outros animais, não encontraria expressão adequada ou mesmo se anularia, se não existisse a linguagem. Com efeito, a existência em comum supõe a fixação de umas tantas normas ou regras, que cada pessoa é obrigada a respeitar, para que o embate dos interesses antagônicos não prejudique a boa harmonia que deve existir no seio da coletividade humana.
Como, porém, estabelecer essas normas, sem um contrato ou acordo prévio, por outras palavras, sem a linguagem?
As grandes realizações da inteligência, que enchem de assombro os séculos, não seriam possíveis sem a linguagem, porque é ela que transmite a cada geração nova as conquistas das gerações anteriores.
São ainda muito espessas, à míngua de dados esclarecedores, as trevas que envolvem a questão da origem da linguagem. As hipóteses surgem, assoberbam por um instante os espíritos, em seguida desaparecem, dando lugar a outras hipóteses. Entretanto, ignora-se até hoje se, nos primórdios da humanidade, havia uma língua única (Trombetti) ou multiplicidade de línguas (Pott, Schleicher e Frederico Muller).
A ciência moderna inclina-se para a hipótese de que a linguagem é de criação humana. Nem isto importa negação da existência de Deus, porque, plasmando o homem, poderia ele ter-lhe dado a capacidade de criar a linguagem. Ao menos assim pensava S. Basílio.
No que não estão acordes os partidários desta hipótese, é na maneira por que o homem adquiriu a linguagem. Renan, por exemplo, assevera que a sua aquisição foi instantânea e de um só jacto, no gênio de cada raça. Outros, e estes constituem a maioria, afirmam que a criação da linguagem pelo gênero humano se operou gradual e lentamente.
De conformidade com esta última opinião, começou o homem primitivo a se exprimir por interjeições, indicativas dos sentimentos que lhe despertava a visão das coisas concretas, e pela imitação dos ruídos dos seres ou animais que se lhe deparavam, numa palavra, pela onomatopéia. 
Fonte: http://www.cienciashumanas.com.br/resumo_artigo_1228/artigo_sobre_origem_da_linguagem

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

As primeiras formas de linguagem

As primeiras formas de linguagem. Éh?
Novo livro sustenta a polêmica teoria de que a linguagem humana teve origem nos gestos e não na fala.
por Jerônimo Teixeira
Fim de noite. Com aquela generosidade que só o chope concede, você anuncia: “Hoje sou eu que pago”. O garçom está entregando um prato de fritas no outro lado do salão. Você acena para ele e em seguida sinaliza com a mão no ar, como quem escreve com uma caneta imaginária. O garçom responde com um aceno de cabeça e o polegar para cima e segue rumo ao caixa. Estamos todos entendidos: você acaba de pedir a conta.
É um exemplo comum de como os gestos podem substituir a fala. Na história do gênero humano, porém, pode ter acontecido o contrário. No recém lançado From Hand to Mouth – the Origins of Language (Da Mão para Boca – As Origens da Linguagem, inédito no Brasil), Michael C. Corballis, professor de psicologia e ciências cognitivas da Universidade de Auckland, Nova Zelândia, afirma que o ser humano começou a falar com as mãos.
Se sua hipótese está correta – e você vai ver a seguir que alguns cientistas já se mostram céticos a respeito –, nossos antepassados brucutus se faziam entender por meio de um misto de gestos e grunhidos e só muito gradualmente desenvolveram uma fala articulada. “Evidências que apontam para a idéia de que a linguagem originou-se nos gestos estão se acumulando recentemente”, afirma Corballis.
Tais evidências vêm das mais diversas áreas, como a lingüística, a biologia molecular, a primatologia e a neurociência. Em cada um desses campos de estudo, há um vespeiro teórico armado para o pesquisador cutucar. A polêmica começa pela própria natureza da linguagem. Para muitos lingüistas – especialmente aqueles influenciados pela obra seminal do norte-americano Noam Chomsky –, a linguagem é uma propriedade exclusiva e inata do ser humano, e será inútil tentar qualquer analogia com as formas de comunicação de outras espécies.
O livro de Corballis insere-se no esforço mais ou menos recente de estudar a linguagem à luz da biologia. “Nos dias de hoje, é difícil ignorar a teoria da evolução. Isso significa que lingüistas e filósofos estão sendo obrigados a prestar mais atenção à ciência”, diz o autor.
Isso não significa que o teatro de Shakespeare ou os sonetos de Camões encontram paralelo na dança das abelhas ou no canto da cotovia. A linguagem é um salto evolucionário muito largo, e até hoje, que se saiba, só o Homo sapiens não tropeçou nesse passo (cientistas ainda discutem se o neandertal teria ou não um aparelho vocal que permitisse fala articulada). Especialistas têm catalogado os gestos e as vocalizações de outros primatas, mas os resultados são relativamente pobres.
Uma certa espécie de macaco tem gritos específicos, de acordo com o predador potencial que esteja se aproximando. Há um para cobra, outros para leopardo, falcão etc. Isso parece sugerir uma propriedade lingüística: a capacidade de referir objetos. Nossa habilidade referencial, no entanto, é bem mais sofisticada. Somente o ser humano é capaz de referir objetos ausentes. O leitor que leu a palavra “macaco” neste texto imediatamente soube do que se tratava, ainda que não encontre nenhum por perto. Os macacos só dão o berro de “leopardo” na presença do felino.
Os animais não mostram aptidão para o que os especialistas chamam teoria da mente – a capacidade de se colocar no lugar de outro. Um chimpanzé consegue no máximo notar que alguém o está observando. A complexidade dessas construções mentais exigiria a elaboração de orações subordinadas. Coisa de que somente o ser humano é capaz. Os animais simplesmente não conhecem gramática.
Nem o mais avançado aluno peludo pode superar uma criança humana. Estamos falando de Kanzi, um chimpanzé criado em cativeiro pela pesquisadora Sue Savage-Rumbaugh, da Universidade do Estado da Geórgia, em Atlanta, nos Estados Unidos. Com a ajuda de um teclado especial, Kanzi aprendeu um vocabulário básico de 256 símbolos que representam ações e objetos (substantivos e verbos). Ele entende e produz “frases” novas, mas sempre no padrão de objeto-ação. Uma declaração típica sua seria algo como “esconder amendoim” ou “pegar banana”.
Sue acredita que as habilidades comunicativas de Kanzi demonstram a existência de uma gramática básica, constituída por umas poucas regras simples. A ordem das palavras, por exemplo, parece seguir sempre o modelo sujeito-verbo-objeto (o qual, vale lembrar, não é comum a todas as línguas: em alemão e japonês, entre outros idiomas, o verbo costuma aparecer no fim). Na opinião de Corballis, Kanzi não ultrapassou o nível de uma protolinguagem. Esse termo foi cunhado pelo lingüista Derek Bickerton, da Universidade do Havaí, nos Estados Unidos, para designar formas de comunicação que apresentam pelo menos uma sintaxe primitiva.
A protolinguagem está alguns passos adiante dos gritos e gestos que os chimpanzés apresentam no seu hábitat natural. Com seus poucos símbolos, Kanzi é capaz de produzir afirmações originais, criando combinações que não lhe foram ensinadas. Mas sua gramática – se é que ela existe – é muito rudimentar.
Não convém subestimar os macacos, no entanto. Foram eles que forneceram a Corballis uma das evidências de que a origem gestual da linguagem é plausível. Para que a linguagem seja compreendida, necessitamos de mecanismos de mapeamento mental que nos permitam reconhecer determinadas ações do nosso interlocutor como iguais às nossas. Na fala, por exemplo, precisamos compreender que as palavras que usamos são as mesmas do nosso interlocutor.
O estudo das atividades cerebrais dos macacos mostrou indícios desse mecanismo. Certos neurônios reagem do mesmo modo quando o macaco agarra determinado objeto e quando vê um humano agarrar o objeto. Ou seja, essas células nervosas respondem de forma igual à ação e à percepção da ação. Por isso são conhecidas como neurônios-espelho.
Esses neurônios encontram-se em uma área frontal nos dois lados do córtex cerebral dos macacos. No cérebro humano, são encontrados apenas no lóbulo esquerdo, próximos à chamada área de Broca, que está envolvida (embora não se saiba ainda em que extensão) na produção de linguagem.
Corballis nota que os neurônios-espelho dos macacos respondem a gestos, não a estímulos auditivos – o que ele interpreta como uma evidência da origem gestual da linguagem. Este é um ponto controverso da tese. Resenhando From Hand to Mouth para a revista Nature, Michael Tomasello, professor do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, na Alemanha, flagrou uma certa parcialidade na argumentação de Corballis.
Ocorre que, ao lado dos neurônios-espelho, os macacos talvez ainda tenham o que se poderia chamar de neurônios-eco, que respondem do mesmo modo à emissão e à percepção de estímulos vocais. Neurônios desse tipo ainda não foram de fato encontrados. Mas Tomasello alega que a razão disso é provavelmente muito simples: até agora, nenhum cientista procurou por eles.
A linguagem de sinais empregada pelos surdos fornece outro argumento forte para Corballis. Por muito tempo, as linguagens de sinais estiveram cercadas de preconceito. Em 1880, um congresso internacional de educação de surdos realizado em Milão baniu o uso de sinais na sala de aula.
Em muitos países, a proibição durou quase um século, com conseqüências desastrosas para a educação dos surdos. Estudos lingüísticos mais recentes provaram que as linguagens de sinais não são menos expressivas do que a fala. São sistemas de comunicação complexos, dotados de uma sintaxe sofisticada e capazes de elaborar os conceitos mais abstratos.
O dado mais relevante é que a área de Broca parece desempenhar as mesmas funções na linguagem falada e na linguagem de sinais. A abordagem de Corballis privilegia a linguagem como uma função especializada do cérebro, centrada no lóbulo esquerdo. Um dos capítulos mais interessantes de seu livro é dedicado a explicar por que o nosso cérebro é assimétrico ou lateralizado – isto é, por que existem funções específicas para cada lóbulo cerebral (linguagem no lado esquerdo; percepção espacial no direito). “Corballis coloca muita ênfase na lateralização do cérebro, o que não é um sinal de linguagem.
Até mesmo as rãs, por exemplo, têm cérebros lateralizados que controlam suas vocalizações”, ataca Philip Lieberman, professor de ciências cognitivas e lingüísticas da Universidade de Brown, Estados Unidos. Lieberman também contesta que a área de Broca seja de fato o centro da linguagem. Estudos mais recentes demonstrariam que a linguagem envolve muitas áreas do cérebro, algumas inclusive abaixo do córtex, em centros nervosos responsáveis também por funções motoras.
Lieberman é um opositor categórico da hipótese de uma origem gestual da linguagem. “Há afinidades claras entre as comunicações verbais do ser humano e as de outras espécies”, argumenta. Ele é autor de Eve Spoke – Human Language and Human Evolution (Eva Falou – Linguagem e Evolução Humana, também inédito no Brasil), obra em que a emergência da fala aparece sincronizada com o surgimento do Homo sapiens na África, há cerca de 150 mil anos. Na visão de Corballis, o surgimento da linguagem é ao mesmo tempo jogado milhares de anos para frente e milhões para trás.
As primeiras formas de linguagem ou protolinguagem – eminentemente gestuais, mas já pontuadas pela vocalização – teriam aparecido há cerca de 2 milhões de anos, talvez já com o Homo rudolfensis, o primeiro membro do gênero humano. O pleno desenvolvimento da linguagem falada, no entanto, só teria se dado há cerca de 50 mil anos.
Em seus primeiros 100 mil anos sobre a Terra, o homem ainda teria se valido principalmente das mãos e das expressões faciais para comunicar-se – com alguns grunhidos eventuais. Acredita-se que a grande expansão do gênero humano da África para o resto do mundo começou há 50 mil anos. Há evidências fósseis de migrações anteriores, porém esses primeiros aventureiros parecem ter sumido sem deixar descendentes. Há 40 mil anos teria acontecido uma espécie de explosão evolutiva.
O homem teria começado a fabricar utensílios sofisticados. Surgem também mostras de pensamento simbólico – pinturas nas cavernas, por exemplo. Corballis crê que esse progresso foi propiciado pela fala. Uma vez que as mãos estavam livres das funções de comunicação, puderam caprichar na manufatura de objetos.
A fala permitiu, ainda, que os conhecimentos acumulados fossem transmitidos a seus descendentes. A fala teria dado ao Homo sapiens grandes vantagens tecnológicas sobre outros hominídeos, como os neandertais que habitavam a Europa e foram extintos há 30 mil anos. Não é à toa que hoje somos os únicos remanescentes do gênero Homo.
No livro de Corballis, a linguagem não é apresentada como o passo final de uma tendência evolucionária, mas como uma invenção que o homem foi aprimorando ao longo de sucessivas gerações, tal como ocorreria bem mais tarde com a escrita. O autor está hoje atualizando essa tese à luz de novas descobertas.
O livro já estava escrito quando foi publicada uma pesquisa revelando uma mutação em humanos, ocorrida nos últimos 100 mil anos. A mudança atingiu um gene que atende pelo simpático nome de FOXP2 e que está envolvido na nossa articulação vocal. Daria quase para publicar uma errata no livro: onde se lia “invenção”, leia-se “mutação”. “A mutação do FOXP2 certamente não foi o único evento que nos legou a fala”, afirma Corballis. O desenvolvimento do nosso aparelho vocal, por exemplo, foi resultado de uma evolução de longo curso, e não de uma mutação única. Corballis acredita que a mutação no FOXP2 apenas deu a vitória final à fala, que a partir de então estabeleceu-se como meio de comunicação dominante.
“A linguagem em si é muito complexa para ter emergido somente nos últimos 100 mil anos. Portanto, devem ter existido formas de linguagem que não dependiam puramente da vocalização, e é difícil pensar em outras modalidades além dos gestos manuais e faciais”, afirma. Não seria exato, portanto, dizer que a linguagem falada substituiu a gestual.
Ela apenas se tornou predominante. Além disso, os gestos não desapareceram por completo. Continuamos a gesticular enquanto falamos – e o engraçado é que fazemos isso até no telefone, apesar de nosso interlocutor não nos enxergar.
A tese de Corballis é instigante, mas, como já se viu, controversa. Seu livro cobre um espectro muito amplo de disciplinas científicas e assim abre a guarda para receber críticas de todos os lados. Em uma resenha no Journal of Linguistics da Universidade de Edimburgo, na Escócia, James R. Hurford, especialista em evolução da linguagem daquela instituição, criticou Corballis por dar muito crédito às teorias de Merrit Ruhlen, lingüista da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, que afirma ser possível reconstituir palavras de nossa primeira língua falada com base nos idiomas existentes hoje. Parece que Ruhlen não é levado muito a sério pelos demais lingüistas. Tomasello aponta algumas imprecisões na descrição que Corballis faz do repertório gestual dos chimpanzés. E Lieberman, como se vê, ataca Corballis no seu próprio campo, a neurociência.
“Há várias afirmações de Corballis que eu acho demasiado pertinentes, incluindo a sua ênfase na lateralização das funções do cérebro”, afirma Terrence Deacon, professor de antropologia e neurociência na Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos. Por outro lado, Deacon revela seu desapontamento com algumas lacunas de From hand to mouth. Faltariam, por exemplo, considerações mais detalhadas sobre a semiótica (estudo da significação) dos gestos. Aliás, Deacon considera que as linguagens de sinais existentes hoje não servem como modelo para especular que formas de comunicação nossos antepassados remotos teriam.
O curioso é que Corballis cita uma obra de Deacon, The Symbolic Species (A Espécie Simbólica, ainda sem versão em português), como inspiradora da teoria gestual. De fato, Deacon jamais se une a Lieberman na crítica feroz a essa idéia.
Ele acha plausível que hominídeos primitivos tenham usado gestos para se comunicar. O problema é que, ao contrário do que Corballis sugere, essa teoria não mata a charada. “A hipótese gestual nem remotamente explica as origens da linguagem, por que ela evoluiu, ou o que conduziu essa evolução. Ela simplesmente reconhece que o gesto é uma das características da linguagem que precisam ser consideradas”, diz Deacon.
Frases
A linguagem é um salto evolucionário muito largo que até hoje só o Homo sapiens conseguiu realizar. Outros primatas têm algumas propriedades lingüísticas – todas muito menos sofisticadas do que as do homem
Para saber mais
Na livraria
From Hand to Mouth - The Orings of Language, Michael C. Corballis, Princeton University Press, 2002
Eve Spoke; Human Language and Human Evolution, Philip Lieberman, Norton, 1998
Human Language and our Reptilian Brain, de Philip Lieberman, Harvard University Press, 2000
The Symbolic Species, Terrence Deacon, Norton, 1997